Mais de 50 anos: Dr. Juliano Scheffer
| Menopausa tem hora | |
| Com novo teste, mulheres podem saber, exatamente, quando acabam as regras |
Por Viviane d’Avilla
Como uma calculadora. Se muitas mulheres funcionam assim desde a menarca, é possível determinar, agora, quando chega a menopausa. A novidade foi apresnetada durante o último Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), realizado em Roma. Entre as vantagens citadas pelos cientistas estão a possibildade de fazer adiar a maternidade com mais segurança, definir com mais precisão a necessidade de reposição hormonal e, principalmente, prevenir doenças. Acertar o relógio interno, no entanto, tem alto custo. Pode chegar a R$ 600.
O ginecologista e diretor científico do IBRRA (Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida), Juliano Scheffer, um dos defensores do uso do AMH (Hormônio anti-Mulleriano), assegura que se trata de um método mais confiável que todos os métodos utilizados até agora, como a dosagem FSH e estradiol - hormônios presentes na mulher.
O AMH está presente nos folículos ovarianos e sua quantidade serve para testar o nível de fecundidade da mulher. O resultado é obtido da combinação do exame de sangue, avaliação ultrassonográfica dos ovários, e dos sintomas clínicos. “As chances de acerto sobre a hora da chegada da menopausa superam os 90%”, afirma Scheffer.
Inicialmente utilizado para avaliar a qualidade e quantidade de gametas (reserva ovariana), o AMH foi aprovado científicamente como marcador da menopausa há pouco mais de um ano. “O AMH é um teste sanguíneo muito simples, que não necessita de jejum e pode ser feito em qualquer época do ciclo menstrual”, ressalta o ginecologista.
O teste já está disponível e sendo utilizado tanto na Europa como nos EUA. No Brasil, ainda encontra barreiras. Principalmente econômicas. Não é bancado pelo Sistema Único de Saúde, não é aceito pelos convênios médicos e o valor em clínicas particulares pode variar de R$ 200,00 a R$600,00.
A interpretação dos resultados também é um entrave à popularização do teste em território brasileiro. Os valores de referência dos laboratórios não se relacionam com uma reserva ovariana adequada. Logo, o médico é quem deverá fazer a leitura de acordo com a sua paciente.
Considerando que fatores externos e genéticos podem determinar a chegada da menopausa, os resultados tornam-se ainda mais subjetivos.“Existem os fatores externos que trazem a menopausa antes do seu tempo real, como tabagismo, má alimentação, atividade física em excesso, obesidade, cirurgias ovarianas, quimioterapia e radioterapia. E existem os fatores intrínsecos como, por exemplo, a genética. E esses fatores, associados, podem influenciar nos resultado final”, confirma Juliano.
Daí que o teste deve ser feito de acordo com a necessidade de cada paciente. “Caso a mulher queira preservar a fertilidade e congelar seus óvulos, ela deverá fazer o AMH antes dos 35 anos. Ser o planejamento é engravidar o AMH pode ser feito imediatamente para verificar quanto tempo ela tem de fertilidade. Se o objetivo for o de diagnosticar a entrada da menopausa e prevenir quanto aos sintomas e futuras doenças, o aconselhável é a dosagem do AMH ser realizado a partir dos 42 anos”, diz Sheffer.
